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Entrevista
com LUÍS RIBEIRO
DO
ESPAÇO
ASTROLOGIA
1-
O que é concretamente o projecto STELLIUM? E quem pode
aderir a ele?
O
Stellium é um encontro no qual vários astrólogos
profissionais do panorama nacional apresentarão a sua
experiência e trabalho. Será um dia totalmente dedicado
ao tema, ao longo do qual serão apresentadas várias
mini-palestras de 40 minutos. Este encontro é dirigido
principalmente aos estudantes de Astrologia. Procurámos
criar algo que fosse além da divulgação básica e que
tivesse um teor mais erudito.
2-
Porquê só agora este Encontro de Astrólogos? Quais os
seus objectivos? Porquê só estes 10?
Um
Encontro Nacional de Astrologia é uma ideia muito antiga.
Infelizmente, nunca se reuniram condições para realizá-la,
pois a comunidade astrológica portuguesa sempre foi muito
dispersa e desorganizada. No final do ano passado, eu e a
Helena Avelar tivemos a idéia de promover um encontro em
que reuniríamos os trabalhos de alguns astrólogos
portugueses. Como o objectivo era apresentar uma
astrologia mais desenvolvida e de qualidade, convidámos
astrólogos cujo trabalho já conhecíamos e sabemos ter
essa qualidade. Dos astrólogos que contactámos,
responderam positivamente Paula Chambel, Nuno Cabral, José
Prudêncio, José Luís Santos, Luís Resina e Paulo
Cardoso. Convidámos também Vitor Quelhas, jornalista e
estudioso de Esoterismo, para preparar o painel de debate.
Mais tarde Conceição Espada propôs-nos fazer uma
apresentação de Astrodrama/Astrologia Vivencial.
Completou-se
assim um programa bastante “intenso” com sete
palestras, uma apresentação e um painel de debate.
3-
Como surgiu e o que é o "ESPAÇO ASTROLOGIA"?
O
Espaço Astrologia surgiu no Verão de 1999 quando eu e a
Helena Avelar decidimos reunir as nossas práticas e
linhas pessoais gerando uma estrutura mais rica e
abrangente. Desde o início o projecto teve três
vertentes: a divulgação (publicação na web de artigos/textos
e a organização de palestras), o ensino (cursos e
workshops) e o aconselhamento astrológico (consultas).
Em
2000 decidimos formar, dentro do Espaço Astrologia, a Escola de Astrologia Integrada, através da qual organizamos os
nossos cursos e módulos de formação. Agora em 2002 criámos
a Astrodidáctica
que produzirá material didáctico para o ensino da
Astrologia.
Hoje
em dia o nosso site tornou-se uma referencia astrológica
na internet.
4- Consultando o
calendário de actividades, verifica-se com facilidade que
elas são múltiplas. Como consegue(m) conciliar o tempo
para que ele chegue para todas elas?
Estamos
neste momento completamente dedicados à Astrologia. Temos
sempre uma actividade por mês, mesmo que seja algo
simples, como uma palestra. Neste momento, para além dos
vários níveis do Curso de Astrologia Integrada,
dividimos o nosso tempo entre a prática de consultas e a
preparação dos vários workshops. Juntando a tudo isto a
organização do Stellium e outras actividade que em breve
serão anunciadas, podemos afirmar que o nosso tempo está
bastante contabilzado e estruturado. O segredo poderá
estar na organização, disciplina e num enorme gosto pelo
que fazemos.
5- Astrologicamente
falando, como encarou os acontecimentos do 11 de Setembro
e quais as suas consequências mais gravosas no presente e
num futuro a médio e longo prazo?
Devo
dizer que não me dedico à previsão. Encaro a análise
dos momentos como uma possíbilidade de compreender as
origens dos eventos. Nessa perspectiva posso dizer que os
acontecimentos do dia 11 de Setembro, embora trágicos do
ponto de vista humano e político, foram surpreendentes do
ponto de vista astrológico.
Na
altura, eu e a Helena escrevemos uma série de artigos
sobre o panorama e desenvolvimento astrológico da situação,
que foram publicados no Espaço Astrologia, no Jornal
Astrologia e no Jornal Urânia.
Em
linhas gerais, trata-se do culminar de um ciclo de
Saturno-Plutão cujas sementes foram plantadas em 83 (na
conjunção dos dois planetas) a quando da intervenção
americana na invasão russa do Afeganistão. É também
uma consequência do trânsito de Plutão pelo signo de
Sagitário que tem, ao longo destes anos, activado uma série
de movimentos fundamentalistas e religiosos.
A
recente conjunção Júpiter–Saturno ocorrida em Touro
no ano 2000 coloca-nos perante uma época de profundas
mudanças quer a nível político-territorial, quer a
nível dos valores.
Estamos
demasiado “em cima do momento” para ter uma visão
clara do desenrolar da situação. No entanto, podemos
afirmar que esta será uma década de mudanças profundas
na sociedade global. Um exemplo disso pode ser a clonagem.
Este assunto emergiu na discussão política e social há
cerca de 6 anos, com a clonagem da ovelha “Dolly”.
Estávamos então a vivenciar uma conjunção
Júpiter-Neptuno. Agora que estes planetas chegam à fase
de oposição, o assunto da clonagem volta às primeiras
páginas, com a possibilidade de clonagem de um ser humano.
No
meio de tudo isto, os eventos de 11 de Setembro
constituiram um importante ponto de crise numa onda de
mudança de mentalidades, padrões e hábitos. Esta
mudança surge como resposta ao “marasmo” de
ideologias e valores que vivenciamos actualmente.
6- Gostaríamos,
ainda que sucintamente, que nos falasse da sua experiência
nas áreas da Astrologia Medieval e Esotérica. Em que nos
podem ajudar?
O
meu estudo de Astrologia Medieval tem como objectivo a
compreensão das bases e fundamentos da Astrologia
Contemporânea, quer a nível de técnica, quer nas
filosofias e ideologias que a fundamentam. Conhecer as
nossas raízes é algo essencial quando trabalhamos com um
sistema simbólico tão rico e abrangente como a
Astrologia. Infelizmente, a falta desta base é
actualmente o problema de muitos estudantes e praticantes.
A
Astrologia Esotérica é um campo ao qual tenho dedicado
muito tempo de pesquisa e investigação. Esta abordagem
pretende sistematizar o desenvolvimento num nível
transpessoal. Infelizmente, é misturada com uma série de
preconceitos “new age” que distorcem os seus
princípios. Pelo que tenho visto um pouco por toda a
parte, é muito dado à especulação e pseudo-misticismo.
Devido à facilidade com que é amalgamada com outras
doutrinas considero que a abordagem esotérica é
praticada de uma forma ainda muito “verde” e muito
teórica tendo, por enquanto, poucas aplicações
práticas. Tenho feito esforços para dar a esta área
alguma estrutura e consistência prática.
7- Aproveitando o
tema, fale-nos da sua "visão" sobre os
restantes ramos da Astrologia e em que medida eles podem
contribuir, ou não, para o desenvolvimento pessoal de
cada um de nós?
Há
algo que todos os ramos da Astrologia fornecem ao nosso
desenvolvimento pessoal – compreensão e consciência
– e isto, para mim, é o mais importante.
A
Astrologia Natal é de longe a que mais contribui para o
desenvolvimento do indivíduo, pois lida directamente com
o desenvolvimento e dinâmica pessoal.
A
Astrologia Mundana, que está neste momento a ter um
grande revivalismo, é extremamente útil na compreensão
da evolução social, política e ideológica do colectivo
humano. Quando bem aplicada dá-nos uma perspectiva do
contexto humano em que estamos inseridos. Infelizmente, as
suas técnicas e bases ainda estão pouco estruturadas e
desenvolvidas quando comparadas às da Astrologia Natal.
Os
outros ramos mais conhecidos – a Astrologia Horária e a
Electiva – preocupam-se mais com a gestão de momentos
do que com o desenvolvimento pessoal. A sua técnica é
geralmente antiquada e pouco adaptada ao contexto moderno.
No entanto, esforços notáveis tem sido feitos para
modernizar estes dois ramos.
8- Sob o ponto de
vista astrológico, qual lhe parece que vai ser o rumo político
de Portugal e quais as condições (astrológicas) em que
se baseia para que pense assim?
Infelizmente
tenho tido muito pouco tempo para estudar devidamente esse
assunto.
Se
considerarmos o mapa do 25 de Abril de 74 (cuja
funcionalidade é um pouco duvidosa), observamos que a
identidade política do país esteve até há bem pouco
tempo muito dispersa (Neptuno em quadratura com o Sol).
Além disso, o país acabou de ter uma lua nova progredida.
Estas fases geram sempre muita expectativa mas indicam
também uma grande dificuldade em dar forma às coisas –
algo que temos verificado em termos de política
portuguesa no último ano e meio. Se combinarmos isto com
o trânsito de Saturno à Lua, que ocorreu durante o
último ano, podemos ter uma idéia dos factores que
contribuem para a actual “crise” política.
Uma
breve análise dos principais ciclos planetários da
actualidade mostra uma clara tendência para as linhas
mais conservadoras da política. Visões mais utópias e
idealistas têm actualmente alguma dificuldade em vingar.
Baseio esta análise no facto de estarmos próximo de uma
oposição Júpiter-Neptuno e de estarmos ainda sob a
oposição Saturno-Plutão.
9- E para terminar:
Neste momento difícil que atravessamos, com tantas
"crises" nacionais e internacionais à "nossa
porta" qual a mensagem que gostaria de deixar aos
nossos (vossos) leitores?
De
todo o acontecimento “exterior” podemos retirar algo
que contribua para o crescimento pessoal e
consequentemente para o aumento de consciência. Isto é
válido para os acontecimento do dia-a-dia, mas também
para os acontecimentos globais. Cabe a cada um de nós
trabalhar e contribuir para harmonia do colectivo humano.
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